domingo, 29 de maio de 2011

Como se sentisse arte ali, escapando-se por entre meus dedos. Uma luz que eu, desesperada de tanto debater-me no escuro, tento segurar. Um feixe de luz apenas, ou talvez um único fio de lucidez. Meus dedos tentam em vão segurá-lo, apertá-lo dentro das mãos sujas de sangue, meu próprio sangue que arranquei ao tentar tirar minha pele para me deixar sair. Eu choro, como não choraria?, pois dói e o sangue se esvai e as feridas abertas me fazem sentir frio. Meu corpo treme, tenho olhos apertados que se turvam e quase nada, pressinto a luz sumir. Está se afastando na escuridão, subindo a alturas que não posso alcançar. Está me deixando.
Não há caminho para fora.
Este meu corpo me encerra aqui para sempre. Posso rasgar sua pele e vazar seu sangue, mas não sairei. Estou presa.