Caminho para fora
domingo, 29 de maio de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Lá no fundo da lagoa
Lá no fundo da lagoa tem todos os meus barquinhos naufragados e todos os tesouros que foram com eles. Eu acreditei. Meus barquinhos brancos de papel comidos pela água, eu queria ainda lembrar como se dobra um papel de um jeito que ele vire embarcação pros meus sonhos, eu queria ainda poder fazer uma dessas ilusões flutuantes pra soltar naquele pequeno mar que é a minha lagoa. A areia seca, às vezes eu sinto ela encher a minha boca e escorrer pelos meus olhos e pelos meus ouvidos também. Tem tanta areia na borda da minha lagoa, pequeno mar de barcos ilusões comidos pela água, desfeitos em tudo como tudo deve ser. Eu gosto de papel por isso. Nunca achei que seria o fogo a destruir meus barquinhos, meu papéis, o fogo guloso, nunca achei que seria ele. Mas a água, impetuosa que muda tudo de lugar e quando a gente vê só deixou o lixo e só deixou a morte, a água nunca me deixou duvidar. Ela comeu meus barquinhos que flutuavam porque se enfiou no papel até ele já não agüentar os tesourinhos de plástico e pedregulho que carregava. Eu gosto do papel por isso. Quando é a hora ele cede, simplesmente, e não pode se arrepender porque era mesmo fraco demais pra aguentar. E, por ser fraco, ele se perde na água e se deixa desfazer, material perfeito pras minhas ilusões.