segunda-feira, 4 de abril de 2011

Compromisso

Luz. Na escuridão eu mal o vejo, eu mal o vi. Estava azul e acho que vi outra cor jogar-se em sua camisa, como eu me imprimi em você. Que imagem restou? Não sei o que há agora. Acho que me lembro de um cheiro. As mãos se unem aos corpos e acompanham toda forma musical da escuridão. Há torpor em nossas veias, sangue em nossos rostos, verdade em nossas faces veladas. Eu minto nesta inconseqüência e é o perfume no seu pescoço que me denuncia toda a fragilidade me desfazendo em seus braços. Eu queria estar nua. Por isso estamos dançando e eu quase penso que é a mesma coisa. Nossa conversa desconexa parece um sussurro difuso na vaguidão de um sonho. Mas estamos gritando. Neste ambiente, somos sós apesar de juntos e a maior das sinceridades não significa verdade alguma. Guarde para você, eu o tenho comigo. Um quase cheiro, perfume, imagem, palavra quebrada. Um rosto de luz. Por que a intimidade teve de ser tão pública, meu Deus? Mal se sabe onde acaba o corpo e começa o coração.

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