sábado, 5 de março de 2011

Praia

Sobre sal e pele, resta uma vida suada. O viver é tão coragem, a ousadia é enxergar. Qual o sentido de lançar-se de volta ao mar? Os pés que deixam o toque certo da areia para debaterem-se em água e, no meio fluente, sentirem que são suficientes. Nadar, pois! Sentir a inundação completa que se anuncia e, quando o corpo cansar, deixar que tudo escoe até não haver mais... Que não a seca. Chão estéril, porém apoio firme. Um caminho feito de ciclos, de estações e seus vestígios. Os ruídos não deixam rastro, mas ainda assim eles passam. Viver é ouvi-los, mesmo sem a certeza de poder coletar aquilo que importou. A imagem maior é a que se deixa diluir. Ganha mil sentidos, faces inúmeras. A imagem buscada é a experiência. Viver é saborear, saborear não é saber-se vivo. Apenas a afirmação do pensamento imprime aos olhos certa consciência. Lúcida ou não, a mente se constrói do desespero de querer provar-se real.

Um comentário:

  1. A Miss se orgulha de ter uma amiga que usa as palavras tão intensamente.

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