sábado, 12 de março de 2011

Ser não é natural

Aprende-se trejeitos, um cacoete talvez, mas a naturalidade... Ah, a naturalidade!
Movimentos espelhados e uma obediência forçada a instintos jamais escutados. Será que isto é tudo que se pode conseguir?
Às vezes, sente-se frio na pele, mas é no próprio corpo que está o calor necessário. E apenas a proximidade do corpo com sua própria e única presença pode nutri-lo de todo o conforto pleno. Quentura imóvel, o silêncio de dentro.
Eu hoje tenho muito menos medo do meu corpo do que já tive. Sei, porém, que custa coragem para ser. Ousadia não é inesgotável. Custa-me, a cada vez, toda a bravura que possuo para que o mundo acolha minha forma e me deixe ser. Natural? Jamais! Não enquanto o mundo me cobrar tanto por cada ato de humanidade absorvida e ensaiada que desejo encenar.
Eu, que não passava de uma réstia de luz numa poça d'água, tive esta oportunidade de existir nesta pele e nesta forma exata. Eu, que sempre admirei a vida humana, sem ter palavras ou conhecer a consciência para afirmá-lo, de repente me vi menina e me vi mulher. Sinto esta enorme responsabilidade, obrigação de ser livre para ser ao máximo, pois esta é a minha única chance.

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